terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Ortega: "elegir entre dos cosas - ser filósofo o ser sonámbulo!"


Após a graciosa (ufa!) leitura do primeiro capítulo do Livro Sociologia Jurídica, de Machado Neto restará a vocês o questionamento proposto por Ortega, será mesmo possível desvencilhar-se da filosofia para realizar um estudo puro da ciência? E tal pureza, metodologicamente chamada de neutralidade axiológica, será mesmo atingível? Pode o homem, intrinsecamente ligado aos fenômenos da sociedade (instituição esta que, intencionalmente, criou - uma frase rápida para nos lembrar Rousseau), desvencilhar-se de suas raízes para observá-las ao longe? Observar a sociedade como fazem os espíritos desencarnados, por cima, sem se deixar ver ou ouvir?

A moderna doutrina das ciências sociais sabe que tal feito não é possível. Na modesta trajetória dessa humilde (afirmo isso, menos com a intenção de adjetivar a pessoa e mais para sublinhar a modesta produção científica) pesquisadora que vos escreve, já se fez presente tal obstáculo. Você, desde a introdução de seu trabalho até a conclusão, vai deixando antever suas crenças, sua opinião, sua ideologia, seu partido, sua cara (para ser mais explícita).

Por outro lado, pudemos entender, após a exaustiva e metódica aula (algumas são assim mesmo), que o saber científico não pode prescindir do auxílio luxuoso da filosofia, sobretudo em sua temática mais especifica da epistemologia. Para não sair mais da cabeça, o que é mesmo epistemologia? Se formos buscar a etimologia (ciência que estuda a origem das palavras de uma língua), encontraremos que deriva do grego ἐπιστήμη [episteme], ciência, conhecimento; λόγος logos], discurso - teríamos, em conclusão: teoria da ciência, teoria do conhecimento.

Deixando-nos levar por nossas próprias convicções, após o colóquio fastidioso (porém produtivo)de ontem, podemos conceber que a epistemologia é o estudo filosófico que define o objeto, método e leis de cada ciência; pode-se ainda dizer, que é a delimitação anterior do campo de estudo, dos instrumentos que poderão ser utilizados e da espécie de conclusão a que chegarão os que se debruçarem sobre qualquer dos ramos do conhecimento científico.

E então? Qual opção irá escolher? Conhecer o direito somente em sua vertente científica, enredando-se na doutrina positivista ou mergulhar nos seus fundamentos, fazendo-se conhecedor de suas origens, de sua serventia (porque, como toda ciência, serve) e dos seus possíveis senhores (porque, se servil, terá dono).

Até segunda!

3 comentários:

  1. Professora,quando a senhora falou que ia postar as aulas no blog achei otimo!!!Porém ao ler o que a senhora escreveu me surpreendi, porque não esperava que além do conteúdo das aulas a senhora pudesse escrever textos relacionados à temas do dia-a-dia.Textos esses que muitas vezes vêm nos ajudar e nos orientar em problemas existentes em nossas vidas!Obrigada por compartilhar seus pensamentos.Estou adorando.Passo no blog todos os dias para conferir as novidades!!bjos

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  2. Que bom ouvir isso, Jessica! A maior recompensa de qualquer trabalho é exatamente essa: o reconhecimento. Assim, fico mais inspirada (rss)Um beijo!

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  3. Professora, realmente é uma ótima colocação feita por ti! Essa parte de Ortega é a que nos leva a ter um maior interesse em pesquisar, em procurar saber o POR QUE das coisas, como surgiu, os métodos, tudo sobre o Direito. Obrigado pelos textos. São de muita serventia.

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